ANIMAIS MEDICINAIS UTILIZADOS POR DUAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DA MATA ATLÂNTICA, UBATUBA, SÃO PAULO, BRASIL
Palabras clave:
biodiversidade brasileira, conhecimento tradicional, etnofarmacologia, medicina tradicional, QuilomboResumen
Estudos etnofarmacolo?gicos te?m sido realizados no Brasil. O presente estudo buscou registrar e comparar os conhecimentos envolvidos na relac?a?o “ser humano” e “animais medicinais” em duas comunidades quilombolas que ocupam uma a?rea de Mata Atla?ntica em Ubatuba, SP, Brasil. Durante 122 dias, entre os meses de maio de 2016 e janeiro de 2018, foram selecionados 16 moradores conhecedores dos animais medicinais, sendo sete do Quilombo do Cambury (QC) e nove do Quilombo da Fazenda (QF), a partir de entrevistas informais e utilizando-se a metodologia “bola de neve”. Em seguida, foram aplicadas entrevistas na?o estruturadas e utilizadas te?cnicas de observac?a?o participante e dia?rio de campo. A ana?lise dos dados ocorreu tanto na perspectiva qualitativa, quanto na quantitativa. Foram registradas 48 receitas a partir de 30 animais medicinais: mami?feros, insetos, aves, re?pteis Squamata, quelo?nios, peixes e anfi?bios, aracni?deos e moluscos. Dentre estes, 16 puderam ser identificados em ni?vel de espe?cie. As 48 receitas envolvem 23 usos terape?uticos agrupados em sete categorias de uso medicinal: Processos Inflamato?rio, Sistema Respirato?rio, Sistema Nervoso Central, Acidentes com animais, Sistema Ocular, Sistema Gastrointestinal e Outras. A parte animal mais utilizada como medicamento foi a banha (24 receitas). Observaram-se dados superiores em relac?a?o aos nu?meros de animais, receitas e usos terape?uticos utilizados na medicina do QF em comparac?a?o ao QC. O desenvolvimento deste estudo contribuiu para o avanc?o da pesquisa etnofarmacolo?gica de animais na Mata Atla?ntica, uma vez que ate? o momento poucos estudos dessa a?rea do conhecimento foram desenvolvidos na regia?o sudeste do Brasil.